Portugal

Socialista Rui Lage apela a que se acabe ou reformule o Conselho Municipal de Cultura

Rui Lage, do PS, apelou esta segunda-feira, à noite, a que se “acabe ou reformule” o Conselho Municipal de Cultura do Porto, que diz “estar desaparecido em combate desde abril de 2021”. O apelo foi feito durante a Assembleia Municipal, na qual o grupo afeto a Rui Moreira viu aprovada uma moção de “congratulação” pela política municipal levada a cabo na Cultura e a CDU considerou “sem rumo” a governação do Executivo no setor.

A assembleia extraordinária realizou-se a pedido do PS e teve como ponto único a Cultura. Durante cerca de três horas, as forças partidárias apresentaram propostas e esgrimiram argumentos. Rui Lage, o primeiro orador, elogiou várias ações de Rui Moreira, como o ressurgimento do Rivoli e a anunciada reabertura do Batalha, mas também fez críticas, nomeadamente quanto aos livros e à literatura, qualificando como “muito pobre o saldo da governação nesta área”. Sobre o que aconteceu ao Museu do Vinho do Porto classificou de “desastroso”.

Mais tarde, após a intervenção inicial, Rui Lage referiu que o Conselho Municipal de Cultura “está desaparecido em combate desde abril de 2021” e que “nem sequer cumpre os serviços mínimos” Apelou, por isso, a “que se acabe ou reformule”. Quando usou da palavra, Rodrigo Passos, do PSD, também fez menção à “reforma” do Conselho Municipal de Cultura.

Após elencar uma lista de iniciativas encetadas ao longo dos mandatos, desde o programa “Cultura em Expansão” até uma série de investimentos em bolsas e residências artísticas, passando pelo apoio a festivais e espetáculos, como o Primavera Sound, o FITEI e o MIMO, Rui Moreira afirmou que o impacto destas medidas é “incalculável”.

“Podemos fazer mais e melhor. Como portuenses é isso que queremos. É bom que nos tragam sugestões. Mais e melhor é a missão da Cultura, que se pretende transformadora e inovadora”, referiu, anunciando para breve uma exposição assente na coleção das obras de arte da Câmara e um projeto de bibliotecas “errante” também a desvendar proximamente. Em Costa Cabral ficará a Seiva Trupe, assim como uma proposta musical.

Na fase da votação, o PS viu ser aprovada a sua recomendação referente a um plano de promoção dos livros e da leitura.

Antes, Rui Sá, da CDU, tinha manifestado descontentamento e preocupação. “Não há rumo. [Rui Moreira] Tem uma visão centralista. O que aconteceu ao Museu do Romântico é o exemplo das apostas falhadas”, comentou, falando, igualmente, do que tem vindo para a praça pública relativamente à Casa da Música, dos preços praticados no Museu de Serralves e da opção de privatizar o Coliseu.

“Para o associativismo, a verba fica aquém das necessidades. Não foram dados passos para ter a Casa das Associações do Porto”, denunciou Rui Sá.

Na resposta ao comunista, que insinuou que na Ágora existiriam vínculos laborais precários, Rui Moreira garantiu que esta empresa municipal “não tem nenhum trabalhador precário”. Disse ainda que a Câmara investiu cerca de três milhões de euros no movimento associativo e que o local falado para a Casa das Associações, o Quartel de S. Brás, foi “alienado” pelo Estado. “Não podíamos concorrer a preços do mercado”, explicou.

A questões específicas levantadas pelo PS, o autarca assegurou que o atliê e o acervo de António Carneiro estão assegurados, e que uma das prioridades a tratar no Museu do Romântico será o “problema do estacionamento”.

A Raúl Almeida, líder do grupo de deputados de Rui Moreira, coube “fazer justiça” e “reconhecer o mérito” do presidente da Câmara na Cultura da cidade. “Há uma política própria, que é marca deste Executivo. Há um orgulho enorme do que foi feito. Manter a qualidade até ao final do mandato é uma responsabilidade”, salientou.

“Não posso ouvir aqui dizer que se está a esquecer a literatura”, protestou, dando como exemplo o apoio prestado à livraria Poetria, que foi “salva”.

Raúl Almeida dirigiu-se ao socialista Rui Lage, dizendo: “Vem exigir à Câmara do Porto aquilo que o Governo não faz. [No Orçamento de Estado] Subiu de quase nada para pouquíssimo, na Cultura”.

Também Rui Moreira fez uma última declaração na Assembleia Municipal, para abordar a descentralização. “Para Serralves, Casa da Música, Teatro S. João e Museu Nacional recebemos verbas significativas. Mas, olhando ao investimento do Plano de Recuperação e Resiliência, que são 153 milhões de euros, 114,2 milhões ficam em Lisboa e o Norte recebe 9,8 milhões, dos quais pouco mais de um milhão é para o Porto”, contabilizou.

“Três instituições que não tiveram 70 mil visitantes, receberam mais do que toda a Região Norte. Estamos conversados sobre o que podemos contar. O país vive absorvido por uma cultura jacobina. Não é uma crítica ao Governo, nem ao ministro. É ao país”, comentou.

A preceder as votações, o social-democrata Rodrigo Passos defendeu o legado do anterior presidente da Câmara, Rui Rio, que havia sido sido criticado pelo PS. “Parece que há uma obsessão pelo passado. Não havia preconceito contra a Cultura. Que o digam as vitórias eleitorais obtidas. Tivemos contas certas, coesão social e um plano municipal para a Cultura”, assinalou.

O PAN, por Paulo Vieira de Castro, apresentou uma proposta por um programa de promoção da saúde mental através da Cultura, mas foi rejeitada. O BE também não conseguiu fazer passar a moção relativa à criação de uma Carta Municipal, envolvendo as juntas de freguesia, o tecido de agentes culturais da cidade e a academia.



Follow On Google News

Share this news on your Fb,Twitter and Whatsapp

File source

Times News Express – Breaking News Updates – Latest News Headlines
Times News Express||USA NEWS||WORLD NEWS||CELEBRITY NEWS||POLITICS||TOP STORIES

Show More

Related Articles

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Back to top button
Close